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by Isabel dos Santos

Quero ser Engenheira, posso?

Women Empowerment

O universo da ciência, da tecnologia e da engenharia precisa de mais afirmação feminina. Numa era de grandes avanços tecnológicos, apenas 28% dos investigadores em todo o mundo são do sexo feminino. São muitas as oportunidades nestas áreas e as mulheres não podem perder esta viagem.

Ciências naturais, engenharia, tecnologia ou matemática são áreas tradicionalmente masculinas, ou melhor, crescemos a pensar que sim. O mundo continua cheio de preconceitos sobre que carreira as mulheres podem ou não seguir. As contas, dizem-nos, são coisa de homem. As letras, de mulheres. E desde muito cedo que as meninas são confrontadas por estas afirmações, seja na própria família, junto dos amigos ou na escola, acabando por afectar a sua autoconfiança e a sua própria escolha.

Estes estereótipos estão a deixar marcas profundas na Educação das mulheres no mundo inteiro. Angola não é excepção: aqui apenas 7% das raparigas no ensino superior optaram por cursos nas áreas da Engenharia, Tecnologias, Ciências Naturais ou Matemática. Do lado dos rapazes, são três vezes mais a frequentarem estes cursos, diz o Global Gender Report 2017.

Não há factores de ordem biológica que justifiquem esta diferença entre homens e mulheres, alertam vários estudos. As causas parecem estar no contexto social, no ambiente familiar e no ensino. Como Engenheira de formação, é difícil ver que há tantas jovens que desistem do seu sonho por acharem que não é o que se espera delas. Por sentirem que o seu papel na sociedade é outro.

Podemos todos começar a mudar mentalidades. Antes de mais, nas nossas casas, na nossa comunidade. Sabemos que as meninas são especialmente influenciáveis pelas suas mães, por isso temos o poder de quebrar estereótipos de género, incentivar as nossas filhas a seguirem cursos “difíceis”, porque tudo podem alcançar. Apelar aos professores para que acreditem nas capacidades das meninas tal como acreditam nos rapazes, procurando ser uma influência positiva e proporcionando-lhes conhecimento prático em matérias científicas.

Uma sociedade inclusiva e avançada precisa do contributo de todos. Para mais, as grandes oportunidades de futuro vão estar precisamente no desenvolvimento tecnológico e as mulheres têm de fazer parte desta transformação. Não podem ficar à margem do progresso. O progresso é uma história que tem de ser escrita por todos, homens e mulheres.